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Pesquisa revela líderes e empresas dos sonhos de jovens brasileiros

* Isabel Kopschitz - O Globo Online

RIO - Os jovens brasileiros que estão entrando no mercado de trabalho sonham ser contratados por grandes empresas nacionais e internacionais, como Petrobras, Vale do Rio Doce e Google. E se espelham em líderes de alcance mundial, como o presidente americano, Barack Obama, o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, e o ex-diretor-executivo (e um dos fundadores) da Apple, Steve Jobs. Os dados são de pesquisa divulgada recentemente pela Cia de Talentos, que aplicou 26 perguntas a 40.445 jovens brasileiros, com idades entre 17 e 28 anos. Desses, 60% estão trabalhando ou estagiando e 43% cursam administração ou engenharia.

A pesquisa - que já está na décima edição - tem como carro-chefe o líder dos sonhos e a empresa dos sonhos dos jovens. Obama, Lula e Jobs foram, respectivamente, os primeiros lugares no quesito líderes (que também traz nomes como Eike Batista e Dilma Rousseff). No ranking das empresas dos sonhos - que inclui ainda nomes como Natura, Itaú e Rede Globo - ficaram no topo Google, Petrobras e Unilever. Entre os motivos apontados para a escolha das companhias estão desenvolvimento profissional, desafios, boa imagem no mercado, bom ambiente de trabalho e carreira internacional.

Segundo Danilca Galdini, sócia-diretora da Nextview, responsável pela elaboração do levantamento, houve um aumento no interesse dos jovens pelas empresas nacionais.

- Eles têm interesse maior por empresas multinacionais de origem brasileira. Isso porque elas são referência em seus segmentos e oferecem uma infraestrutura e organização diferenciadas, além de terem práticas de gestão de pessoas consolidadas - explica.

Outro dado interessante da pesquisa - e aparentemente conflitante em relação à preferência pelas empresas brasileiras - revela que, entre os motivos para a escolha da companhia, está a possibilidade de fazer carreira internacional.

- Este era um ponto que já não aparecia nas nossas pesquisas desde 2005. Investigamos um pouco mais e vimos que o que os jovens chamam de carreira internacional hoje é diferente do que era anos atrás - afirma a executiva. - Até 2005, significava morar fora do país, indefinidamente, mas hoje retrata o interesse dos jovens, que nasceram e cresceram num mundo globalizado, em morar um tempo fora pela empresa, conhecer as diferentes culturas nas quais ela está inserida e voltar ao Brasil, para desenvolverem sua carreira aqui.

Segundo ela, fazer carreira internacional antes significava aquilo que não era possível conquistar no Brasil: oportunidade de estar inserido num ambiente inovador e moderno, numa economia estável.

- A partir do momento em que o Brasil passa a oferecer estas coisas e também empresas bem mais estruturadas (multinacionais brasileiras), morar fora perde um pouco do peso que tinha - conclui.

Ainda de acordo com a pesquisa, o jovem brasileiro é comprometido com a vida profissional, porém pouco tolerante a frustrações, o que faz com que se desligue da companhia com certa facilidade, caso as coisas não saiam como deseja. Outra conclusão do levantamento é que a atual geração é ingênua nas relações interpessoais no ambiente corporativo.

- Eles não são estimulados a lerem o ambiente, tudo vem mais mastigado. As redes sociais também colaboram com isso, pois acabam protegendo as pessoas da relação pessoal, que nos permite, por exemplo, vivenciar a fala de uma pessoa que diz que está superfeliz, mas cujo rosto mostra o contrário - explica Danilca Galdini.

Além do Brasil, a pesquisa da Cia de Talentos é realizada também na Argentina, no México e na Colômbia.

* Matéria publicada no O Globo Online no dia 06/09/2011.
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