Sobram vagas na Secretaria Municipal da Pessoa com Deficiência
RIO - A Lei Federal 8.213, que estabelece cotas para contratação de pessoas com deficiência em empresas, completou 20 anos em julho. Apesar disso, ainda sobram vagas na Secretaria Municipal da Pessoa com Deficiência do Rio de Janeiro, que disponibiliza um banco de oportunidades para esses profissionais. Atualmente, existem 528 vagas abertas, mas o interesse dos candidatos não é suficiente para abastecer o mercado.
A secretária Georgette Vidor explica que, em muitos casos, a baixa procura se deve ao Benefício de Prestação Continuada (BPC), que assegura ao deficiente uma remuneração mensal que pode variar entre um salário mínimo e chegar a R$ 2 mil, dependendo do caso. Quando a pessoa com deficiência é contratada por uma empresa, o benefício é automaticamente cortado pelo governo federal.
- É uma barreira muito difícil de ultrapassar. Mas queremos mostrar que eles são capazes de prover seu próprio sustento e não precisam viver como aposentados. A maioria das pessoas com deficiência tem plena condição de estar trabalhando - afirma a secretária, que é cadeirante.
Além disso, a falta de interesse das empresas é outro obstáculo, na opinião de Georgette.
- Muitas companhias nos procuram, assinam um convênio de parceria, mas depois não dão continuidade ao trabalho - diz a secretária, acrescentando que falta também um movimento das empresas no sentido de capacitar pessoas com deficiência: - Muitos só querem contratar esses profissionais para atuar como auxiliares de serviços gerais. Mas eles podem conquistar posições superiores no mercado de trabalho, assim como foi com as mulheres - acredita Georgette.
A maioria das vagas oferecidas no banco da secretaria exige ensino fundamental ou médio completos, com salários que variam de R$ 450 a R$ 1.429 mais benefícios para cargos como auxiliar de serviços gerais, copeira, vendedor e almoxarifado. Porém, nem sempre é possível alocar candidatos nas vagas disponíveis.
- Para podermos encaminhar um cadeirante ou um indivíduo com outra deficiência física, a empresa precisa ter rampas de acesso, banheiros adaptados, meios de transporte acessíveis. Já para o deficiente visual, é necessário que seja oferecido um software de computador específico. E isso nem sempre ocorre - explica Georgette.
Por outro lado, uma queixa comum entre os contratantes é a falta de qualificação do portador de deficiência.
- Isso realmente acontece. Ainda há um longo caminho a percorrer para chegarmos a um bom nível de qualificação. Mas o candidato interessado encontra diversas opções de cursos na Secretaria. Estamos também fechando uma parceria com o Ministério de Ciência e Tecnologia para dar mais conteúdo para que esse candidatos possam competir no mercado de trabalho - conta a secretária, lembrando que, para o deficiente poder trabalhar, ele também depende de uma cidade adaptada: - A cidade precisa estar melhor, com opções de transporte público para os portadores de deficiência. Estamos muito melhor do que estávamos há dez anos, mas ainda há bastante a fazer.
A SMPD está localizada no CIAD (Centro Integrado de Atenção à Pessoa com Deficiência) Mestre Candeia, que fica na Av. Presidente Vargas 1.997, no Centro do Rio. Informações pelos telefones (21) 2224-1300 e 2224-3515 ou no site .
Confira algumas vagas disponíveis na Secretaria:
Pedreiro (10 vagas) - deficiência física leve e ensino fundamental (salário de R$ 1.067).
Auxiliar técnico de mecânica (1 vaga) - deficiência física e auditiva (com boa comunicação) e ensino médio completo com curso na área de mecânica (salário de R$ 800 + benefícios).
Operador de telemarketing (30 vagas): deficiência física e ensino médio completo ou cursando (salário de R$ 672 + benefícios).
Almoxarifado (2 vagas): deficiência física, deficiência auditiva (oralizado) e deficiência visual (parcial) com ensino médio completo (salário de R$1.429,47).
Auxiliar de escritório (2 vagas): deficiência física e deficiência intelectual leve com ensino médio completo ou cursando (salário de R$ 640,07 + benefícios).